quinta-feira, 12 de setembro de 2013

de passagem

Preciso de muita comida. Muito pão, muito arroz, muita batata, muita fritura, muito macarrão, muito doce. Preciso de muito peso, peso para baixo, que me grude ao chão, me prenda os pés ao chão. Preciso fincar meus pés no chão.
Cansei, por enquanto, de voar por tudo meu voo rápido, bambo, incerto, em curvas e sem pouso algum ou muitos e muitos pousos, que não paro em mim mesma por querer parar em todos. Preciso de lugar que me faça prisioneira, de causas que me façam guerreira, direções que me façam certeira. Descanso.
Andei pensando o porque de toda a minha viagem. Pelo mundo grande e que tudo abrange, ou pelo pequenino gigantesco mundo interno de cada um. Se alguém se fecha dentro de si, com certeza é porque lá deve ser muito interessante. Gostaria de visitar alguém que se tranca em sua cabeça. Bater na porta, pedir permissão, e se concedida, entrar. Entrar sem lembrar de sair, e poder voltar sempre, pois. Me interessa o tédio, a falta de interesse, o que nada importa, o que se deixa de lado. E tudo também pelo que é normal se interessar. Vazia eu voo longe. Leve flutuo alto. Fraca sou derrubada. Delicada me tropeço. Pequena sou carregada.
Ao chão me joguem, amigos. Me enterrem em algum lugar bonito, e só por hoje. Pois amanhã é dia de contatos.

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