terça-feira, 29 de outubro de 2013

Abaixo a viagra

Não sei sequer se é azul. Mesmo assim, no céu eu vejo esse que é o azul que há no mundo de mais belo, o que todos podem ver, e dizer que é belo. O que todos podem ver é muito pouco. Talvez o mundo seja um pouco maior do que um ponto, e ele varia de acordo com o tamanho da sua cabeça. É esse o limite, a membrana entre verdade e "o que os olhos não vêem o coração não sente", jargão que faz da hipocrisia nossos senhores, faz nossos joelhos marcados de pedra serem expostos em grandes muros, que nós mesmo construímos, para servirem de exemplo. Vulcão de miséria derrama lava sobre as casinhas de qualquer cidade, e qualquer cidade, é sempre qualquer cidade. Inexistente é ódio, tesão, dor, euforia, pois nada que é 'qualquer' existe para aqueles que são 'CADA'. Mergulhados na sujeira estamos todos de sapatos engraxados levantados para o alto, deixando-nos afundar abaixo dos mesmos. É que quanto mais conhecido, meu corpo limite é distância de ímãs entre toque e repulsão. Me orgulho de nada saber e de tudo querer saber, mas tenho medo de saber. E vejo em minhas falas palavras que já ouvi em algum lugar. Por que do clichê? Coisa gasta é só aquela que não é bem utilizada. Ouço vozes cada vez mais altas e nenhuma parece minha. Talvez como todas as cores somam cinza meu lugar de verdade seja da nuvem fecundação de onde nascem gotas. Enxergar o mundo "sobre ombros de gigantes" é meu caminho, sendo pequena como sou. Calor de meu colo envergonha-me sob olhares congelados de homo sapiens sapiens que viveram olhando só uma mesma parede de sombras. Senhoras e senhores, ladies and gentleman, apresento-lhes minha arte. Tenho fome e anseio carne, HUMANA.

terça-feira, 22 de outubro de 2013