quinta-feira, 29 de agosto de 2013

cada

Viver intensamente. Onde os passos devem ter o peso de kilos e quilos de farinha. Onde os sons devem filtrar-se por dentro do instrumento, e sair belos, grandes e claros, de dentro para fora. Onde os poemas devem ser lidos, e cada palavra deve tocar como um aperto maior numa corda que amarra nossos pulsos, ou um impulso a mais na bomba de água que esguicha euforia umedecendo todo o ar entorno. Viver livre. Quer dizer viver para sí. Viver para poder viver. Cada nota da música, cada gota de sangue, cada piscar, cada batida, suspiro, respiração.




quarta-feira, 28 de agosto de 2013

" Por que escrevo? Infindável é o número de vezes que já me fiz a mesma pergunta e sempre encontrei a mesma resposta. Escrevo apenas porque em mim alguma coisa não quer morrer e grita pela sobrevivência. Escrevo para que me escutem - quem? um ouvido anônimo e amigo perdido na distância do tempo e das idades... - para que me escutem se morrer agora. E depois, é inútil procurar razões, sou feito com estes braços, estas mãos, estes olhos - e assim sendo, todo cheio de vozes, que só sabem se exprimir através das vias brancas do papel, só consigo vislumbrar a minha realidade através da informe projeção deste mundo confuso que me habita. E também escrevo porque me sinto sozinho. Se tudo isto não basta para justificar porque escrevo, o que basta para justificar alguma coisa na vida? Prefiro as minhas pequenas às grandes razões, pois estas últimas quase sempre apenas justificam mistificações insustentáveis ante um exame mais detalhado."
- Lúcio Cardoso